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Bombeiro diz que tragédia em Santa Maria era prevista

Geral

há 13 anos


31/01/2013 15h00


Os últimos acontecimentos têm deixado jovens, adultos e, sobretudo os pais preocupados e apreensivos em relação as casas noturnas da região. Todos os finais de semana, milhares de pessoas aproveitam para se divertir sem imaginar o que pode acontecer. E a pergunta que fica no ar: será que as casas noturnas da região estão sendo fiscalizadas devidamente, ou a qualquer momento um trágico incidente pode acontecer?

 

De acordo com o 2º tenente do 1º Pelotão do Corpo de Bombeiro de Criciúma, Samuel Ambrósio, sempre há riscos, mas o Estado de Santa Catarina pode ser considerado exemplo na questão de fiscalização das casas noturnas. “Somos referência. Óbvio que há estados em que a fiscalização existe há mais tempo e já estão acostumados com esse tipo de trabalho. Mas mesmo assim somos copiados em diversos outros locais”, ressalta o tenente.

 

Ambrósio explica que para o funcionamento das casas noturnas e para qualquer local, deve ter o alvará liberado pela Prefeitura. “O alvará é a Prefeitura quem libera, mas deve passar por vários órgãos, como meio ambiente, os bombeiros,vigilância sanitária entre outros”, diz o profissional.

 

Primeiramente a aprovação é realizada quando o empreendimento ainda está em projeto, como fiscalização de rede hidráulica, locais aonde irão os extintores de incêndio bem como a análise das instruções normativas (IN), que é um conjunto de normas criada pelos próprios integrantes do  corpo de bombeiros e analisada por engenheiros.

 

Após essa primeira avaliação ser aprovada e o projeto ser  colocado em prática, a vistoria “habite-se” é realizada. Nela, os bombeiros têm por objetivo verificar se o que está no projeto foi colocado em prática na construção pronta. “Com o “habite-se”, verificamos se o que nós aprovamos e exigimos em projeto foi colocado em prática. Com o aval positivo, a casa pode funcionar normalmente, caso contrário deve entrar nas normas exigidas. Daí a pressa é do construtor e o proprietário do local”, salienta o bombeiro.

 

O tenente afirma que tudo é fiscalizado, desde o para raio, extintor, tamanho da escada, do degrau dentre outros. “A Prefeitura não libera sem antes o aval do corpo de bombeiros”, ressalta.

  

 

Mudança de normas devem ser respeitadas

O tenente Samuel Ambrósio explica que as normas podem ser modificadas, e quando isso acontece, os proprietários devem realizar as mudanças também. “As normas mudam e eles têm que se adequar e se eles não se adequarem pode dar problemas para eles”, diz.

 

Ele ainda diz que há um prazo de aproximadamente um mês e se não forem feitos os ajustes, os bombeiros passam as informações para o Ministério Público, que por sua vez pode conceder multas diárias ou até a interdição do local. “A interdição ocorre sim, mas acredito que deve ser alto o gasto necessário para manter uma casa noturna por esse motivo damos um prazo”, enfatiza Ambrósio.

  

 

Saídas de emergência é lei em casas noturnas

Segundo o tenente toda casa noturna deve ter duas portas, uma principal e outra que serve como rota de fuga, que deve ficar do lado oposto da porta principal. “A rota de fuga existe para casos extremos, como incêndios e  desabamentos, assim os ocupantes do local terão mais opções na hora de desespero”, explica o tenente.

 

A lotação máxima permitida no ambiente depende diretamente do proprietário. “Quando a pessoa decide construir algo, ela deve ter ao menos uma noção da capacidade de pessoas. Com a casa noturna não é diferente, o dono deve respeitar a capacidade”,diz.

 

Os bombeiros trabalham com estudos e simulações, sempre utilizando uma maior margem de segurança. Shows pirotécnicos também são terminantemente proibidos dentro de locais fechados, bem como soltá-los próximos de pessoas.

 

O tenente diz que para esse tipo de trabalho se faz necessário estar em ambientes abertos e acompanhados pelos Blasters, que são os responsáveis pela montagem, desmontagens e manutenção dos fogos. “Esses profissionais vão assinar e se responsabilizar caso haver problemas”, finaliza.

 

 

Liberação de Alvará pela Prefeitura

De acordo com a gerente de tributos da Prefeitura de Forquilhinha, Êdela Arns Back, os alvarás só podem ser liberados após a fiscalização de diversos órgãos. “A Prefeitura só faz a liberação após a fiscalização da vigilância sanitária, meio ambiente, cadastro imobiliário, dívida ativa, corpos de bombeiros e posturas, que é o local onde será contruído o empreendimento”, explica.

 

Ela ainda diz que o papel da Prefeitura é apenas receber os documentos dos órgãos fiscalizadores e , se estiver de acordo com as normas, emitir o documento. O alvará liberado pela  é realizado apenas uma vez, mas a fiscalização é feita periodicamente.

 

 

Catarinense escapou da morte no incêndio da casa noturna

Eram quatro horas da madrugada quando o telefone tocou. Era o criciumense Moisés Tancredo, 23 anos, há dois anos e meio estudante de Engenharia Eletrônica e um dos sobreviventes do incêndio da boate Kiss, que matou mais de 230 e deixou aproximadamente 200 feridos em Santa Maria/RS.

 

O pai do garoto, José Antônio Tancredo, 54 anos, aposentado explicou a equipe de reportagem do jornal Volta Grande que ao entrar em contato com o Moisés, no outro dia, o rapaz já estava melhor, mas ainda estava assustado com a situação. “Meu filho entrou em estado de choque. Ele disse que tudo aconteceu de repente e quando caiu em si já estava sufocado e tentando sair de dentro do local”, diz o pai do garoto.

 

Ele ainda explica ao pai que o local ficou sem visibilidade alguma e chegou uma hora em que na conseguia respirar. “Meu filho me disse que achou que ia morrer. Ele falou que tinha milhares de pessoas mortas no chão e que no momento da fuga, sentiam os pés sobre os cadáveres”, diz o pai de Moisés ainda em estado de pânico.

 

O estudante, segundo diz o pai, disse que realmente os seguranças não estavam permitindo a passagem das pessoas e que muitos não conseguiram sair devido a isso. Outro problema  é que o isolamento de som era feito de caixa de ovo, local onde foi o foco do incêndio. “O que foi dito em alguns canais de televisão realmente é verdade, inclusive que havia apenas uma porta no estabelecimento”, enfatiza Tancredo.

 

Tancredo considera um milagre o filho estar vivo, mas ressalta que não se conforma com a falta de fiscalização das autoridades. “Foi culpa das autoridades incompetentes e também dos proprietários da boate. Meu filho disse que na hora do fogo o extintor não funcionou e até encontrar um outro bom, o fogo se alastrou e não deu mais tempo de nada. Ninguém avisou para evacuar o local”, explica.

 

E acrescenta: “Eu me coloco no lugar dos outros pais, os que perderam os filhos. Quanto sofrimento. Poderia ter sido o meu filho também. Graças a Deus ele ficou internado por uns dias, mas já está bem”, se sensibiliza o homem.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Diego Colombo/ Redação VG

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