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Uma década de idas e vindas e enfim a tão sonhada emancipação

Geral

há 8 anos


26/04/2017 15h00


A cidade de Forquilhinha, nome que surgiu devido à junção dos rios Mãe Luzia e São Bento, foi colonizada por imigrantes alemães vindos de Mosela, que chegaram no porto do Desterro, hoje Florianópolis. Transformou-se em distrito do município de Criciúma em 1959. A primeira tentativa de emancipação aconteceu em 1975. Somente em 1987, com um plebiscito, ficou decidida a emancipação. Em 26 de abril de 1989 foi criado o município de Forquilhinha. Em 1º de janeiro de 1990 foi instalado solenemente.

 

Mas antes dessa conquista muitas pessoas tiveram que lutar incansavelmente para que o Distrito se tornasse um município. Valberto Arns foi um dos envolvidos nessa luta do projeto de emancipação, com ele tantas outras pessoas também batalharam para que o Município se tornasse independente.

 

“O projeto de emancipação inicia em 1978, época em que Eno Steiner era Deputado Estadual, ele que era nascido em Forquilhinha. A semente da emancipação foi lançada em 1978. E teve um líder, Afroldo Arns, e isso não evoluiu pois estávamos no fim da ditadura Militar embora tivéssemos um Governo do Estado, mas que na época era indicado e não por votação. Mas Forquilhinha estava antenada para se tornar município.

Foi então em 1980 , um grupo de estudantes de Florianópolis, em media 30 jovens, resolveu colocar o processo de emancipação resgatado, ai então entra Vanderlei Ricken como um dos líderes desse grupo em Florianópolis e eu aqui em Forquilhinha. Foi feito uma tentativa de marcar o primeiro plebiscito em 1981 mas o Prefeito do município “mãe” que era Criciúma entrou com pedido de segurança e impediu por uma liminar o plebiscito. Houve uma retomada disso em 1983, onde todo mundo se recompôs do “back” da primeira vez que o plebiscito foi vetado” Relata Valberto Arns.

 

Mas nem ele, nem as pessoas envolvidas desistiram, continuaram batalhando pela emancipação, mesmo com dificuldades de reunir o povo e também dificuldades financeiras para se deslocar até Florianópolis.

 

“Em 1984, retomamos com tudo e ai foram idas e vindas e quando estava tudo pronto novamente o Governador Pedro Ivo Campos, disse que não emancipava ninguém, voltou tudo à estaca zero. Tempos mais tarde houve uma mudança na legislação que nos facilitou o jogo, voltamos mais uma vez, plebiscito marcado, passou e o Governador Vetou, marcamos outro plebiscito meio que emendado ao anterior e ai já com Cassildo Maldaner de Governador e ele então assinou mas isso já era em 1989. Então era aquela agonia, cada vez que o projeto ia ficávamos apreensivos e na esperança de que daria certo, porque não éramos o único município a querer o projeto de emancipação, mas foi o nosso que deu coragem para outros seguirem o exemplo. E baseado no nosso se emanciparam em média 60 municípios no estado naquela época, nós fomos o precursor das emancipações” Ressalta Valberto.

 

Uma década de idas e vindas

“Nossa organização era a seguinte: um grupo em Florianópolis que tratava os assuntos com a assembleia legislativa e outra organização aqui. Então eu trabalhei aqui junto com várias pessoas. Ficou eles trabalhando lá e nós aqui e eu coordenava a base, mas acontecia muitos fatos pitorescos do tipo: Valberto fomos na assembleia hoje e eles vão colocar o projeto em apreciação, ai tínhamos que sair que nem uns loucos, sem telefone, porque na época não tinha a facilidade que tem hoje, com redes sociais, celulares e etc...

Naquele tempo tinha que sair nas casas, se dividir para avisar o maior número de pessoas pra ir a Florianópolis era uma loucura e isso foi feito inúmeras vezes.

Porque quando era programado com antecedência nós tínhamos tempo, inclusive anunciávamos nas missas, mas quando era em cima da hora tínhamos que nos mobilizar e nem sempre todos podiam ir. E detalhe que cada um ainda tinha que pagar sua passagem, e o ônibus era em Araranguá. Criamos inclusive um caixinha para então poder fazer essas mobilizações e arcar com os custos de toda mobilização” Explica Valberto. 

Mas ainda segundo ele existia algumas pessoas que eram contra a emancipação, e com quem era contra tentávamos explicar sobre os benefícios que teria com a emancipação. E fomos vencendo essas etapas, tomando gosto e vendo que era o melhor para o município. Quando fizemos o último plebiscito, as pessoas já não acreditavam mais, mas mesmo assim não desistimos”. Conta Arns.

Segundo Valberto, o maior empecilho na época era questão política, porém não partidária e sim porque Criciúma não queria perder esse espaço onde hoje é o município. Tempos mais tarde então depois de uma cassação em liminar, 2 cassações na assembleia, 2 plebiscitos, sendo que um o Governador não assinou e o outro que então assinado. “O processo de emancipação durou uma década e depois então de quatro tentativas conseguimos a tão sonhada emancipação” Completou.

 

Depois da emancipação


Valberto relata ainda que depois da primeira eleição que teve então Vanderlei Ricken como primeiro Prefeito, Forquilhinha tomou forma rápido. “Devemos isso a alguns pontos, por exemplo o conhecimento jurídico que o Vanderlei tinha nos ajudou muito pois tivemos que começar da Lei número 1 caso contrário sem legislação não poderíamos receber os recursos que pertenciam ao município. E foi então que as pessoas começaram a acreditar, empresários a se instalar, prédios começaram a tomar forma, a geografia mudou completamente. De 1990 a 2000 isso aqui mudou tudo. E dali em diante vem nessa crescente. E ai tudo aquilo que a gente pregava para que conseguíssemos a emancipação, começou a tomar forma muito melhor do que nós imaginávamos” destaca Valberto.

 

Forquilhinha hoje é um município sério, que é reconhecido por outras cidades.O meu retrato da emancipação foi uma luta de uma década que superamos obstáculos inimagináveis. Devemos agradecer a muitas pessoas que se doaram e se dedicaram por essa luta pela emancipação, não vou citar nomes para não cometer injustiça, mas quem ajudou sabe que foi uma luta árdua mas que valeu muito a pena. E hoje então depois de tantas lutas não precisamos provar para ninguém que valeu a pena todo esforço e que Forquilhinha é município que deu certo, Eu vejo que a emancipação foi a maior acertada do mundo. O espirito desenvolventista se materializou. É só olhar o que Forquilhinha era antes e o que se tornou depois da emancipação. Todo mundo olha Forquilhinha com respeito. As pessoas tem orgulho de dizer que moram em Forquilhinha”. Finaliza ele.

 Filho de Forquilhinha


“Sou Filho da terra, lutei pela emancipação e tenho muitos desejos a esse município que vai completar 28 anos. Anos de desenvolvimento e conquistas. E espero que na área econômica consigamos atrair ainda muito mais para aumentar empregos, pois Forquilhinha com a infra estrutura que tem, vai se destacar ainda mais e para os próximos que vão passando pelas gestões não percam esse foco e continuem respeitando, pois fora as pessoas tem Forquilhinha como um município honesto. Que continue tendo agentes políticos comprometidos com o desenvolvimento, com a honestidade e isso se mostra através da lisura com que trabalham. Que evoluam um pouco mais em determinadas áreas. Pois a emancipação foi uma luta feita sem ambições pessoais. E me sinto completamente realizado por toda luta que hoje mostra cada vez mais que valeu a pena” Conclui Valberto com um sorriso de satisfação no rosto. 

Fonte: Jornal Volta Grande - Mariane Rodrigues

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